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Quem poderia dizer que a indústria de tradução movimenta tantos interesses?

14 novembro 2011
Hoje, escrevo o último post da série que fiz para o Jornal O Globo. Quem diria que esse papo diário me daria a oportunidade de rever quase toda a minha carreira? Aqui, tive a chance de contar sobre os anos em que atuei como professor de inglês. Somando tudo, são mais de 25 anos em sala de aula. Hoje, minha atuação como professor se limita a palestras ocasionais e às aulas inaugurais do curso de Formação de tradutores, onde tento mostrar o caminho das pedras aos futuros tradutores. Entendo que a tradução pode ser considerada uma sobrevida para professores de inglês ou, até mesmo, para profissionais de outras áreas, fluentes em diferentes idiomas. O que não pode acontecer é tentar se lançar à profissão sem a devida preparação. Costumo dizer que o melhor professor não é, necessariamente, um bom tradutor e vice-versa. Vocês ficariam espantados se soubessem que a maior parte dos melhores tradutores que conheço praticamente não fala inglês. Lembro-me de que no primeiro grande projeto de tradução com que me envolvi pedi a diversos professores de inglês que me ajudassem. O resultado pode ser classificado como desastroso. Grande parte dos documentos envolvidos teve que ser traduzido novamente, nada se aproveitava. Acredito, muitas vezes, que as pessoas não cogitam a profissão de tradutor simplesmente porque não sabem que ela existe. Afinal, quem poderia dizer que a indústria de tradução movimenta tantos interesses? Entre eles estão a indústria petrolífera, os grandes laboratórios farmacêuticos, a indústria automobilística, os escritórios de advocacia. Todos, sem exceção, gastam fortunas com tradução anualmente. Para aqueles que pretendem se tornar tradutores públicos acredito que os concursos passem a acontecer com maior frequência. Há também o problema, já relatado aqui, da ética no ofício. Das agências que lançam mão de folhas assinadas previamente. Lembro-me de uma exposição de óleo e gás em Macaé, apresentada a um executivo de uma empresa que era nossa cliente: ele disse ser incrédulo por estar apertando a mão de um tradutor público, pois achava que não existiam. Ainda segundo ele, os tradutores públicos estariam na mesma categoria da cabeça de bacalhau e do filhote de pombo, ou seja, ninguém jamais viu. Para aqueles que se formam em letras e não querem dar aulas ou para os que têm graduação em qualquer área e profundo conhecimento de um segundo idioma, considerem a possibilidade de tornarem-se tradutores. Outra coisa: o tradutor é como o vinho, quanto mais velho, melhor. Não existe idade ideal para se tornar um tradutor e, com o tempo, é possível exercer a profissão trabalhando em casa. Em função do espaço, deixei de mencionar alguns outros profissionais que também são essenciais para a tradução. O DeskTopPublisher (DTP) – o detepista, como também é conhecido, é o diagramador. Longe se vai o tempo em que o cliente se dava por satisfeito com a tradução pura e simples do documento solicitado. Hoje, o tradutor cuida da tradução e passa o texto para o DTP que, por sua vez, se encarregará de formatar a tradução final. Finalmente, temos o Project Manager (PM,) ou o gerente de projetos. Esse profissional é de fundamental importância nas agências de tradução, pois é quem irá distribuir os grandes projetos entre os tradutores, internos e externos, conforme suas aptidões. Ele também irá cuidar para que os prazos prometidos ao cliente sejam cumpridos. Enfim, temos o revisor que, via de regra, também traduz. Quero agradecer aqui ao Diário de Carreira pela oportunidade que tive de levar um pouco de minha experiência aos leitores de O Globo. Coloco-me à disposição de todos, caso ainda reste alguma dúvida ou curiosidade que possa responder sobre a profissão. *Paulo Macedo é tradutor juramentado e sócio do Flash! Idiomas

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